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PAPA PÕE DEUS NA BERLINDA

 

   O teósofo e biblista espírita José Reis Chaves

escritorchaves@ig.com.br


          As teologias da cultura judaico-cristã que antropomorfizaram Deus
têm feito muito mal ao espiritualismo. Nosso objetivo, porém, não é
desmoralizá-las, mas apenas mostrar que elas, às vezes, prejudicam mais o
espiritualismo do que o beneficiam. Sim, pois elas minam a crença dos que
crêem em Deus, deixando-os frios e indiferentes em sua fé, e deixam os que
não crêem mais incrédulos, ainda.

           O nosso grande poeta Castro Alves, diante da dor dos escravos
negros, deixou-nos esta exclamação justa emotivamente falando, mas ao mesmo
tempo pouco respeitosa para com Deus: "Onde estás tu, oh Deus?" Mas até o
renomado teólogo e Papa Bento 16, em sua recente viagem à Polônia, ao
visitar Auschwitz, conhecido local de extermínio em massa de judeus pelos
nazistas, entre outras coisas, exclamou: "Onde estava Deus naqueles dias?"
"Por que não se manifestou?" "Como pôde permitir essa matança sem limites,
esse triunfo do mal?"

         O mal dos nazistas não triunfou, pois apenas morreram os corpos dos
judeus, já que seus espíritos são imortais (Mateus 10,28). Porém, pela lei
espiritual universal de causa e efeito ou cármica, nós colhemos o que
plantamos. E os israelenses do Velho Testamento dizimaram muitos de seus
inimigos. Assim, pela lei cármica, os judeus, vítimas dos nazistas, não
seriam reencarnações dos judeus do Velho Testamento queimando o seu próprio
carma coletivo negativo? Para evitar mal-entendidos, declaro aqui que
condeno de modo incondicional os horrores praticados pelos nazistas contra
nossos irmãos judeus. Aliás, quem é responsável pela execução de um carma
negativo de alguém, está purificando esse alguém de seu carma, é verdade,
mas está criando outro carma para si próprio. Por isso, Javé disse que quem
matasse Caim, que matou seu irmão Abel, morreria sete vezes (Gêneses 4,15).
O negócio é, pois, perdoar, para que seja desfeita a cadeia de causa e
feito.

           E Deus não poderia jamais impedir o lamentável holocausto dos
judeus, pois, se o fizesse, estaria intervindo no livre-arbítrio dos
nazistas. E em Auschwitz, Bento 16 deve ter tido uma inspiração de um
espírito atrasado e não de um Espírito Santo, pois suas palavras dão a
entender que ele põe Deus na berlinda, já que nos faz pensar, no mínimo, que
Deus teria pecado por omissão, o que seria um absurdo!