Voltar


 

OS TRÊS MONTES

Daniel Valois   

 

      

valois35@terra.com.br

 


          Atitudes de Jesus apontam para o esforço pessoal, quando desejamos conquistar algo, superar obstáculos ou apenas fortalecer a “musculatura” da fé.

          Embora na Sua jornada terrestre três montes se tenham notabilizado, dois pela freqüência com que subia num ou noutro para conversar com o Pai e entrar em sintonia com o Universo,  talvez por um impulso atávico, que induz a maioria ao pessimismo, o monte da Caveira ou Golgota, tenha conquistado notabilidade e destaque no coração dos cristãos, que valorizam o Jesus crucificado, que louvam o Filho do Homem pregado na cruz, e até o adoram na posição em que foi assassinado...

          Sempre que desejava recompor as forças e refazer as energias doadas nas curas, na distribuição em múltiplas formas de caridade, ou até mesmo no esforço da desmaterialização e rematerialização, ocultando-se dos que desejavam eliminá-lo, antes do epílogo que ele já previra para sua arrojada e perigosa missão...(João 8:59), Ele se dirigia ao Monte das Oliveiras, onde permanecia horas em meditação, dialogando com o Pai.

           Foi no Tabor, entretanto, que seu poder, sua força e sua natureza divina se manifestaram com toda pujança e glória, fazendo tremer os três apóstolos que o acompanhavam nos momentos de grandes decisões, e que, apanhados de surpresa, ficaram deslumbrados e sem saber o que fazer ante o quadro esfuziante de luz e espiritualidade e,  tentando agradar o Mestre,  ofereceram-se para construir tendas para Ele e os dois luminares com quem dialogava.

           Vejamos como Mateus, na sua linguagem simples, descreve o episódio, vivido no proscênio da Natureza, tendo como pano de fundo as rochas do monte Tabor e como cobertura o céu estrelado.

           “Seis dias depois, toma Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João, e os leva, em particular, a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui: se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu: e eis vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo”  (Mat. Cap. 17 vers. 1 a 6)

              A lição que ficou da busca por lugares elevados para orar e meditar, é a de que a elevação da freqüência vibratória de quem deseja crescer, espiritualizar-se e libertar-se é o caminho. Nada chega “de graça”, como dádiva divina ou doação dos espíritos. Necessário é, pelo menos, acreditar que o Universo conspira a nosso favor, se nos esforçamos, através da mente e do coração, pensando positivamente, amando-nos, ao próximo e a Deus, acima de tudo.

               O nosso monte das Oliveiras representa o esforço que devemos empregar, superando os obstáculos da subida, as rochas da dúvida, da preguiça, do medo e do orgulho, como treinamento contínuo para, um dia, escalarmos o monte Tabor, onde  poderemos manifestar nossa auto-iluminação, na condição de espíritos perfeitos.

              

 Daniel Valois

 Professor, estudante da Doutrina Espírita