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O PCC e o mundo de regeneração


Marco Vay

vay@zaraplast.com.br

 

 Perante a barbárie desencadeada pelos “soldados” do P.C.C., organização criminosa originária de São Paulo, comparável com a do C.V. do Rio de Janeiro, a opinião pública, escandalizada, clama por justiça (leia-se vingança).
Como Espiritas, precisamos examinar o fato à luz da Doutrina e lembrar que não existe efeito sem causa.
Posto que tanta violência é efeito de algo anterior, quais seriam, então as causas de tamanha barbárie?

Inumeras pessoas, tanto anônimas, como jornalistas ou políticos ou membros de ONGs, clamam contra a injustiça social como causa destes comportamentos cruéis. Discordo. Acredito que esta situação serve apenas de estopim para deflagrar uma bomba já previamente armada.
É evidente que um ser humano com suas necessidades satisfeitas, seu amanhã assegurado, sem fome, nem frio, nem medo do futuro, não tem incentivo a deixar seu lar onde reina a paz e a tranqüilidade, para lançar-se em uma missão quase suicida, no anseio de fuzilar sumariamente pessoas que lhe são absolutamente desconhecidas e que nada de mal lhe fizeram particularmente.
A pobreza, o desemprego, a falta de educação, escolaridade e cultura (cuidado, não se trata de sinônimos e sim de características bem diferentes), a falta de perspectivas, a falta de religiosidade verdadeira são o meio através do qual a violência se transmite e propaga.

<Mas --  pergunto aos Amigos leitores -- tem milhões de pobres honestos que nunca agiriam e jamais agiram desta forma>!
Além disso, os bárbaros assassinos são a minoria das minorias. Não representam nem 0,00001% da massa dos menos favorecidos.

Aí está a bomba previamente armada à qual me referia acima e a verdadeira causa de tanta violência.
As premissas para atitudes barbaras como as dos “soldados” do PCC são bem mais profundas e encontram na crise social e cultural apenas um canal para escoar livremente.
Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, nas perguntas entre 746 e 756, define com clareza estes seres agressivos e violentos, inseridos em um coletividade mais evoluída e pacifica. Na pergunta 755, especificamente, encontramos:
“....Se o queres, (são) selvagens que não tem da civilização senão o verniz, lobos perdidos no meio das ovelhas. Espíritos de uma ordem inferior e muito atrasados, podem se encarnar entre os homens avançados, na esperança deles mesmos se avançarem. Mas, se a prova é muito penosa, a natureza primitiva os domina”.

Vejam que interessante esta colocação dos Espíritos “...mas, se a prova é muito penosa,...”.

Esta colocação nos dá a clara visão que as injustiças sociais, a pobreza e outras mazelas, são “a prova penosa” e não a causa dos comportamentos cruéis destes homens.

Assim, não devemos procurar na sociedade as causas destes trágicos acontecimento, e sim na evolução espiritual individual, que deve ser sempre o foco do Espiritismo. Buscar apoiar e ajudar cada cidadão do mundo na sua “reforma intima”, rumo a sua integração plena em uma civilização melhor.
Assim o mundo de regeneração, onde não mais o mal triunfará sobre a Terra, chegará a nos através da mudança de cada indivíduo, instrumentado para enfrentar as diferentes adversidades da vida, sem necessariamente precisar descambar para a brutalidade e a barbárie.