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O Homem de preto

Saara Nousiainen

 

logos@bemviver.org

Certo dia estava num ônibus quando embarcou um homem todo vestido com roupas pretas e com um ar fúnebre.

A figura causava certo mal estar e logo pensei: porque uma criatura dessas se veste de preto, faz esse ar sombrio, ficando assim com esse aspecto horrível? No mesmo instante meu censor interno acusou o fato de eu talvez estar sendo descaridosa com aquele homem. Provavelmente essa auto-censura fez abrir-se algum canal de comunicação com o mundo espiritual porque imediatamente uma voz conhecida repercutiu em meu cérebro dizendo assim: “Nunca deves censurar alguém, porque no momento em que pensamos em alguém, e mais ainda, quando pensamos olhando para a pessoa, estamos criando entre ela e nós um canal de comunicação. Só que a tua comunicação, a tua doação vibratória para esse irmão foi de ordem negativa, e podes ter a certeza de que ele recebeu essa carga, que veio tornar ainda mais pesada sua cruz.

Imagine só o “nó” que me deu por dentro. Tratei logo de orar por aquele irmão, olhá-lo com bons olhos e enviar-lhe a melhor das vibrações de otimismo, esperança, harmonia e bem-estar.

A partir desse episódio comecei a observar o quanto nós criticamos e censuramos nosso próximo de forma a mais leviana, enviando-lhe cargas magnéticas negativas. Quanto mal fazemos com nosso pensamento deseducado! Quanto mal fazemos com a palavra irrefletida! Quanto mal fazemos com as nossas emoções!

Assim, a primeira e mais importante atitude que devemos desenvolver para não gerarmos energias negativas endereçadas a outrem é olhar a tudo e a todos com bons olhos, lembrando que essas energias de baixo teor, antes de alcançarem o outro, já se impregnaram em nós próprios.

 Quantos males sofremos, quantas doenças desenvolvemos em nosso organismo e no nosso psiquismo com esse tipo de descuidos, com o hábito de censurar os outros, de criticá-los, de olhá-los ou pensar neles com má vontade, com sentimentos de repulsa, de antipatia!

A lei da vida e da justiça, a lei do fazer ao próximo o que desejamos receber determina que todo o mal gerado por nós atinja em primeiro lugar a nós mesmos. E quando nosso organismo se vê saturado dessas energias maléficas que produzimos a reação se faz na forma de dor, de doenças as mais variadas, de desequilíbrios os mais diversos, e então nos lamentamos e nos queixamos, implorando e até exigindo ajuda superior, e quando ela não vem... a fé declina.

É importante, importantíssimo aprendermos a passar para os outros só aquilo que desejamos receber. E como dissemos anteriormente, a grandiosa lição de vida é aprendermos a ver tudo e todos com bons olhos, com sentimentos bons, fraternos, solidários, puros. E se isto não for possível, pelo menos nos abstenhamos de criticar, ou mesmo fazer zombaria.

Quando começamos a nos preocupar com nossa evolução, com nosso crescimento interior, começamos também a despertar para muitas coisas que antes não havíamos percebido.