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O CRISTIANISMO EM MUTAÇÃO

 

   O teósofo e biblista espírita José Reis Chaves

escritorchaves@ig.com.br

            São Paulo foi contra a exigência de uma parte dos judeus de que os
gentios fossem circuncidados para se tornarem cristãos. O Concílio de
Jerusalém, no final do ano de 49, resolveu essa questão favorável a Paulo.
Presidiu esse concílio o líder dos apóstolos Tiago (o menor), irmão ou primo
de Jesus (Atos 15, 12 a 21), e não são Pedro. Também para o Evangelho
apócrifo de são Tomé, esse Tiago foi o líder dos apóstolos. Paulo,
igualmente, nos mostra essa liderança (Gálatas 1, 18 e 19). Aliás, Pedro,
pela Bíblia, não foi bispo de Roma.

            E o cristianismo acabou mesmo foi paganizando-se, em parte, com
os gentios. Na mitologia, os homens especiais eram chamados de "filhos de
Deus" e divinizados. Os faraós, reis e imperadores eram também considerados
"filhos de deuses" ou mesmo deuses. E, assim, transformaram também Jesus,
Filho de Deus, em outro Deus. Dos sacrifícios de sangue dos animais para a
expiação de pecados, passou-se ao do sangue de Jesus no Gólgota. E a ceia,
que o Nazareno promoveu para despedir-se dos seus apóstolos, foi
transformada em "Hostiae Piaculares" (vítimas sacrificadas para expiação dos
pecados de outrem), do que surgiu o ritual da missa.

           Orígenes, Clemente de Alexandria (santo cassado pelo Papa Bento
14, no século 19) e o Papa São Gregório Magno ensinavam que a alma era do
mundo espiritual, preexistente ao corpo, e que após a morte dele, ela
ressuscitava no mundo espiritual (1 Coríntios 15,44 e 50, e Eclesiastes
12,7). Eles ensinavam também que, oportunamente, a alma reencarnava em um
novo corpo na Terra (Sabedoria 8,19 e 20). Assim, a ressurreição do espírito
podia ser também na carne.

         Que o cristianismo, com suas mutações, alcance o quanto antes a
verdade, libertando-se de suas exóticas doutrinas, que, há séculos,
perturbam e dividem os seguidores de Jesus, sob o pretexto dos teólogos de
que se trata de mistérios de Deus!