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ESPIRITISMO, COISA DE DEMÔNIO?

 

Alkíndar de Oliveira

(alkindar@terra.com.br)

 

 

“Reconhecereis meus discípulos por muito se amarem”.  Jesus

 

Sou espírita. Respeito todas as religiões que têm Deus como o Pai maior. Vejo os integrantes das demais religiões como diletos irmãos. Nem poderia ser diferente. Se somos filhos do mesmo Deus por que o fato de professarmos diferentes religiões impediria vermo-nos como irmãos?

         E como irmão do caro leitor, aproveito desta oportunidade para trazer à tona  alguns conceitos - ou preconceitos - equivocados em relação ao Espiritismo.

         Caro irmão-leitor, não tenho o  intuito de convertê-lo ao Espiritismo. Se você se encontrou no  Catolicismo ou no Protestantismo para que mudar de religião?

 

Nós, espíritas, muito valorizamos o Catolicismo. Podemos dizer que o Catolicismo é a religião-mãe. Se não fosse a força, a coragem, a fé e a determinação dos primeiros católicos as palavras do nosso Mestre Jesus não teria chegado aos nossos dias. A humanidade muito deve ao Catolicismo.

 

Também respeitamos e valorizamos o Protestantismo. Quando o homem ficou mais preocupado com a religião externa, isto é, mais valorizava a forma do que o conteúdo, foi o Protestantismo que chacoalhou uma situação de inércia e reavivou as palavras do Mestre.

         Mas por que alguns - não  todos - católicos e protestantes, nossos diletos irmãos, insistem em dizer que o “o Espiritismo é coisa do demônio”?

 

Jesus disse “Pelos frutos conhecereis a árvore”.

         Os espíritas, como outros religiosos, têm como sua principal meta procurar seguir, com as limitações próprias da natureza humana, os preceitos de Jesus em sua máxima “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

         Que demônio é este que inspira aos espíritas o amor  a Deus e ao próximo?

 

Os espíritas, como outros religiosos, acreditam na realidade maior da vida: “fora da caridade não há salvação”.

         Que demônio é este que inspira aos espíritas fazer a caridade ao próximo?

 

Os espíritas têm por princípio a valorização e o respeito às demais religiões, todas consideradas como diferentes ferramentas idealizadas pelo mesmo Arquiteto.

         Que demônio é este que inspira aos espíritas a fraternidade e a solidariedade entre integrantes de religiões muitas vezes sustentadas em dogmas ou em faces da verdade conflitantes entre si?

         Que demônio é este que, onde há divergência de opiniões, procura unir em vez de semear a discórdia?

                                                                                                                              

Os verdadeiros espíritas, isto é, àqueles que seguem os preceitos máximos da doutrina, tem como rotina em sua vida o esforço pela sua transformação moral.

Que demônio é este que inspira aos espíritas  constante preocupação com sua elevação moral?

 

         Caro irmão e leitor, reflitamos:

         Que demônio é este que fala em amor, caridade, solidariedade, fraternidade e em transformação moral?

 

Só não vê, como disse nosso Mestre Jesus,  quem não tem olhos para ver.

         Por favor, não entenda que o objetivo deste artigo é a sua conversão. Se você é um bom católico, continue a sê-lo. Se você professa uma das diversas religiões protestantes, continue na sua convicção. Mas se você é dos que dizem que “o Espiritismo é coisa do demônio” procure - sem abandonar sua religião - pelo menos estudar alguns livros espíritas. A critica gratuita, sem análise, sem profundo estudo, não deve fazer parte de nossos atos. Dê a si mesmo o direito de conhecer melhor o seu objeto de crítica. Estude.

 

É importante dizer que a denominação “Espiritismo” assumiu conotações que não correspondem à real essência da doutrina codificada pelo educador Allan Kardec, e que se sustenta no evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.

         No Espiritismo não há queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, imagens ou outros rituais. Muitas pessoas, não espíritas, muitas pessoas mesmo, imaginam - sem antes pesquisar - que o Espiritismo manifesta-se por tudo que nele não existe, como os exemplos citados (queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, culto a imagens, rituais, etc.).

         Muitas religiões que se autodenominam Espiritismo, não o são de fato.

         O templo do Espiritismo é o templo do estudo, do amor e da caridade.

          

Outras pessoas, como você, também não acreditavam ou tinham uma opinião deformada do Espiritismo e de seus preceitos como mediunidade e reencarnação.

        

William Crookes, o extraordinário pai da Física contemporânea, o homem que descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem se deve os pródomos da Física Nuclear da atualidade chegou a dizer textualmente: “Eu era um materialista absoluto e, depois de investigar em profundidade científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo que eles já não são possíveis: eles são reais!

        

César Lombroso, depois de examinar a mediunidade de Eusápia Paladino disse estas palavras: “Quando me lembro do que eu e meus colegas zombávamos daqueles que acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque hoje eu também sou espírita! A evidência dos fatos dobrou a minha convicção negativa”.

                                                                                                                                        

         E ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre o mundo as linhas da telegrafia e da telefonia internacional, os cabos transoceânicos, teve a coragem de dizer: “Somente negam os fenômenos espíritas, aqueles que não se deram ao trabalho de os estudar. Eu não conheço um só exemplo de alguém que os haja estudado, que não se tenha rendido à sua evidência”.

 

Não. Não precisa tornar-se espírita. Mas estude o Espiritismo antes de criticá-lo.

         E lembremo-nos que todos, independentemente de religiões, somos filhos do mesmo Deus e devemos irmanarmo-nos, unirmo-nos pelo bem comum, pelo amor ao próximo, pelos atos de solidariedade humana.  Jesus disse de forma simples e direta: “Reconhecereis meus discípulos por muito se amarem”.  Portanto, Ele recomenda que a meta é o amor imperar em todos nós, independentemente da religião que professamos.

 

Lembremo-nos, ainda, que ninguém é dono da Verdade Absoluta. Deus sendo Pai de toda a humanidade é também o Pai de todas as religiões.  Respeitemo-nos mutuamente, cheguemo-nos mais pertos, para oportunizarmos o “aprender a amarmo-nos”. Só assim seremos dignos de sermos chamados de FILHOS DE DEUS.

 

Para encerrar, leiamos a letra abaixo, musicada pelo  admirável católico-cantor Padre Zezinho, que é um hino ao respeito e à união dos seguidores das mais diversas religiões:

 

CANÇÃO ECUMÊNICA

Padre Zezinho

 

         Que todos nós,

         que acreditamos em Deus,

         saibamos viver em paz e dialogar!

 

         Que todos nós,

         que cremos que Deus é Pai,

         saibamos nos respeitar e nos abraçar!

 

         Filhos do Universo,

         filhos do mesmo amor,

         saibamos ouvir uns aos outros,

         ouvir o que o outro nos tem a dizer.

         E, sem combater,

         sem desmerecer,

         primeiro escutar,

         depois discordar,

         por fim celebrar e orar.

         E adorar e servir a Deus.

         E ajudar e ajudar as pessoas...

         e respeitar os ateus!

         ... pra sermos filhos de Deus.

 

 

 

Alkíndar de Oliveira
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