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ECOLOGIA - O Grito das Crianças

 

Daniel Valois

 

 

 

 

 

A Assembléia Geral da ONU, reunida em Estocolmo, capital da Suécia, em 1972, instituiu na abertura da Conferência sobre Meio Ambiente Humano, o dia 5 de junho como"Dia Internacional do Meio Ambiente”.

          A Estância hidromineral de Cambuquira, em Minas Gerais, assim como muitas cidades de Santa Catarina, é exemplo de preservação ambiental para qualquer município brasileiro. Lá assistimos, no dia 5 de junho, peça teatral apresentada por atores-mirins, alunos de uma escola municipal,que honra a memória de Pestalozzi. Beleza, plasticidade e compromisso com a preservação da natureza, estiveram presentes na fala, na dança, no cantar e no entusiasmo das crianças que, em seguida,  plantaram juntamente com outros colegas de todas as escolas municipais, milhares de mudas por toda a cidade...

           Aquele espetáculo infantil, reacendeu as esperanças de que uma nova mentalidade, construída junto com a geração porvir, pode redimir o  Planeta.

           Da obra Atualidade do Pensamento Espírita, 1ª edição, publicada em 1998, extraímos da página 62, item 2.4, pergunta 55, o seguinte: "A agricultura moderna, com o uso exagerado de máquinas, produtos químicos e sementes transgênicas, vem causando impactos nocivos no meio ambiente e na saúde humana. A agricultura sustentavel, sem riscos ecológicos e boa produtividade, será um dia realidade?" Resposta do Espírito Vianna de Carvalho, através do médium Divaldo Franco:

            "A consciência de si fará com que o homem respeite a vida em todas as suas manifestações, mudando as técnicas agrícolas, passando a utilizar-se de  máquinas que não poluam a atmosfera,  de recursos orgânicos que substituam as substâncias químicas venenosas e os hormônios que deformam os animais, em razão da ganância argentária. A raiz de toda poluição, de toda destruição da vida, é de natureza moral, respondendo pela avareza que predomina na criatura humana...”

               O brado da Ciência que clama por um freio moral que estanque a sangria nas veias  da Terra, rasgadas pela nossa geração, começa a ser ouvido.O G-8 cuja meta é dinheiro e "desenvolvimento", é composto por nações que isoladamente e em conjunto, estão produzindo a falência ecológica da nossa Casa Maior. Não obstante, em seu último encontro, emitiu sinais de preocupação, face ao Relatório assinado por muitos cientistas de países do 1º Mundo, denunciando o Aquecimento Global. Cabe à opinião pública mundial, o exercício da pressão legítima para que  a preocupação se transforme em atitudes, em atos concretos,  que interrompam a destruição do Planeta.Nossas crianças, que foram nossos bisavós em encarnações passadas, e seremos nós mesmos em futuras encarnações, serão as herdeiras do que estamos plantando. Aliás, já dizia o Cristo: "Tudo o que homem plantar, isto também colherá". Está no Evangelho. O que estamos plantando para a colheita futura? Leia o que disse uma criança canadense, na abertura da ECO-92, no Rio de Janeiro: “Sou SEVERN SUZUKI . Estou aqui com um grupo de crianças canadenses de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte. Viemos de tão longe para dizer que vocês adultos têm que mudar o modo de agir. Ao vir aqui hoje não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na Bolsa de Valores.  Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir . Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais, morrendo em todo o Planeta porque já não têm para onde ir. Não podemos mais permanecer ignoradas. Hoje tenho medo do sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar este ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar com meu pai em Vancouver, até o dia em que pescamos um peixe com câncer...     Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídas a cada dia e, em vias de extinção.    Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como tapar os buracos na camada de ozônio; vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas; vocês não podem ressuscitar os animais extintos; vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto... Se vocês não podem recuperar nada disto então, por favor, parem de destruir... “

                                                                                                                                          

 

Daniel Valois

valois35@terra.com.br