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DIFERENÇA ENTRE HOMENS E ANIMAIS

Daniel Valois   

 

      

valois35@terra.com.br

 


        

             É constrangedor para a espécie hominal, mas os animais têm manifestado atitudes, que  são exemplos imarcessíveis para nós, alertando, orientando, defendendo, manifestando gratidão e em alguns casos, salvando a vida de seus amigos bípedes.             

              Quatro relatos reais.

             Havia um pároco no interior da Bahia, conhecido por sua bondade, fé e dedicação ao próximo. Também era conhecido por seu amor aos animais, particularmente aos gatos. Possuía alguns, mas um siamês cinza era seu xodó.

             Um dia o padre apresentou sintomas de doença insidiosa que o prostrou, exigindo cuidados médicos e dos amigos e paroquianos que se desvelavam à sua cabeceira. A febre implacável o consumia sem que a medicina conseguisse identificar a causa. Seus gatos circulavam o leito, miando dolorosamente como a prenunciar o fim. De repente o siamês pula sobre ele, deita-se sobre o plexo solar, emite um gemido longo e lúgubre, eriça o pelo como se atingido por corrente de alta voltagem, estica-se todo e morre. Rígido como um tijolo...

              A febre desaparece e o sacerdote levanta revigorado, chorando de emoção pelo sacrifício do amigo que lhe salvara a vida...

              O lavrador entra na mata com seu velho companheiro “Cação”, mestiço de perdigueiro e vira-latas;  corta a lenha necessária para alimentar o fogão e retorna com alentado feixe sobre o ombro.

               No dia seguinte percebe a ausência do amigo. Aí lembra que ele não latiu à noite, como de costume. Chama-o, assovia, procura pelas redondezas e finalmente regressa, abanando a cabeça... “tá poraí, na certa atrás de alguma cadela...”, pensa.

               À noite volta a chamá-lo, assovia, grita, interroga caminhantes, ninguém  o viu...

               Pela manhã retorna à mata e com dificuldade, depois de algumas horas caminhando a êsmo, chamando o cão pelo nome e assoviando, ouve um latido débil. Assovia e o latido se repete chega ao sítio onde “Cação” se encontrava, deitado sobre o machado que ele esquecera, fazia dois dias...

                O Poeta catarinense, Juvêncio Araujo Figueiredo, seguia viagem de Desterro para Tijucas, onde era Promotor Público, cavalgando sua fiel companheira a égua “Mostarda” . Vivia-se os tempos tenebrosos da revolução de 1893, onde a matança dos adversários políticos era rotina...

                 A égua empacava vez por outra, forçando a rédea, querendo voltar... Chegando à Serraria (Barreiros), empacou de vez e ele ouviu uma voz gravíssima que lhe diz:

                  -“ Volta. Não prossigas tua viagem!”. Voltou.

                  Posteriormente veio a saber que as tropas do coronel Moreira César haviam ocupado Itajaí e Tijucas e o seu amigo, Dr. Joaquim Lopes, Juiz de Direito, bem como o delegado Luiz Cordeiro, foram presos e executados. Só ele escapara, por estar fora da cidade.(Márcio Araújo, in “Mediunidade do poeta catarinense Araújo Figueiredo”, EDEME, SC, 2000).

                    Canadá, idos de 1960. Amanhecia, quando o guarda florestal foi despertado por ruído estranho na porta da cabana. Empunhando o rifle, abriu a janela e viu enorme urso de pé, com a pata dianteira estendida. O primeiro impulso foi disparar para o ar, a fim de assustá-lo. Num átimo de segundo, seu olhar cruzou com o do animal. Viu ali dor e piedade. Observando melhor a pata dianteira, percebeu um enorme espinho atravessando-a.

                        Munido de pinça, removeu-o. O urso olhou-o com um olhar humano, cheio de gratidão e afastou-se, penetrando na floresta.

                        Dias depois, numa outra manhã, o mesmo ruído na porta. O guarda abriu-a e viu, a seus pés, um cabrito montês abatido, ainda quente... o urso que se afastava, parou, olhou para trás e desapareceu na floresta...(Seleções do Reader's Digest - 1960)

 

                        Os animais, movidos por instintos, sensações, percepções e emoções,  oferecem exemplos de solidariedade, doação e amor, que constrangem os ditos “humanos”... Inspiremo-nos nos exemplos deles. O Pai nos instrumentalizou com todos os equipamentos dos animais e, para fazer a diferença entre nós e eles,  sentimentos, estrutura de pensamento, mente, afetividade, ego e EU, tudo gravitando em torno do Espírito imortal, a caminho da plenitude do amor.

                       Podemos e devemos ser melhores que os animais, se manifestarmos afeto, não apenas nos círculos familiares e de amigos, mas ao próximo indistintamente, porque assim estaremos construindo um mundo melhor, conforme as máximas de Jesus: "Fazei ao próximo aquilo que gostaria que o próximo vos fizesse". "Amai a Deus acima de tudo e ao próximo como a vós mesmos".

 Daniel Valois

 Professor, estudante da Doutrina Espírita