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CONDENARAM DEUS

 

José Reis Chaves

 


 

O espírito não se confunde com o corpo. Ele é uma vibração inteligente que se manifesta através do corpo, como uma emissora de rádio o faz através de um rádio, ou então, como atua o programador através do computador. E o espírito é impregnado do corpo, que, por sua vez, o é do espírito, formando ambos uma só unidade. Mas esse “casamento” termina com a morte do corpo, pois a dimensão espiritual, para onde vai o espírito após a morte do corpo (Eclesiastes 12,7), não comporta matéria. Ademais, o espírito é imortal, já o corpo é mortal. O primeiro dá a vida, o segundo a recebe temporariamente.

Deus é o Pai dos espíritos (Hebreus 12,9), isto é, Ele é de todos os espíritos o mais perfeito. Se esse Deus verdadeiro sofresse algum dano com o pecado, sentir-se-ia Ele recompensado com rituais sangrentos, reais ou simbólicos, a que eu venho chamando de teologia do sangue? Apenas espíritos atrasados apreciam isso. E poderia, por acaso, o grave pecado de assassinato resgatar um outro pecado? Por que, então, o do assassinato de Jesus o faria? Foi por influência dos teólogos do Velho Testamento e de outras religiões do Oriente Médio que essa idéia excêntrica de sangue agradar a Deus se infiltrou no cristianismo. E isso pelo fato de os teólogos judeus terem confundido espíritos atrasados comunicantes com o do próprio Deus (1 João 4,1). Quem de sã consciência aceitaria, hoje, essas coisas? E não vale a desculpa evasiva de que isso é mistério de Deus! Verdade é que é por conseqüência disso e de outras teologias que os líderes religiosos estão lamentando que as igrejas cristãs estão capengando e perdendo fiéis. Ora, se Jesus, o mais perfeito espírito humano que já se encarnou em nosso mundo detestou, com razão, até o derramamento do sangue de animais (Mateus 9,13), como o próprio Deus apreciaria mesmo o sacrifício de sangue humano, e logo de um justo, que é seu Filho especial e tanto amado por Ele?

Embora devamos respeitar esses rituais, se é inevitável a nossa evolução cultural e mental, como ficarão nossos descendentes diante dessa teologia de sangue? Podemos atribuir ao Deus de Jesus tal coisa? O certo é que fizeram de Deus uma entidade espiritual atrasada do baixo astral e condenada, pois, a sofrer temporariamente pela sua ignorância, até que, evoluindo, encontre a luz, a paz e a verdade libertadora!

 

José Reis Chaves - escritor, teósofo e biblista espírita