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QUANDO A FICÇÃO SE TORNA REALISMO

O Código Da Vinci

 

   O teósofo e biblista espírita José Reis Chaves

escritorchaves@ig.com.br

       O livro e o filme: o "O Código Da Vinci", de Dan Brown, são de
ficção, sim, mas deram origem a discussões das mais virulentas em todos os
tempos entre os cristãos. E é disso que trata esta matéria.

           A Editora Escala lançou a revista "Documento Especial - O Código
Da Vinci". O autor dessa matéria orienta-se visivelmente pela teologia
ortodoxa católico-protestante, o qual, corrigindo Dan Brown, afirma que o
Concílio Ecumênico de Nicéia (325) serviu para reafirmar e não para
reconhecer a divindade de Cristo, outro modo de dizer que ela já existia
antes da realização do concílio. Mas essa doutrina de que Jesus é também
Deus não era e não é aceita por muitos cristãos seguidores da Teologia
Ariana, cujo número, já grande naquela época, cresce muito, atualmente,
entre os teólogos cristãos de todo o mundo, já que ela tem o respaldo
bíblico: "O Pai é maior do que eu" (João 14,28) e "Há um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Timóteo 2,5). 
Ainda segundo o autor, a votação do concílio foi de uma ampla maioria de
bispos favoráveis à confirmação de que Jesus era outro Deus. Mas esse autor
não se refere ao apoio decisivo do pagão e politeísta imperador Constantino
à votação dos bispos na divindade de Jesus. E ai dos bispos que assumissem
uma posição contrária à de Constantino, que, inclusive, se proclamou ele
próprio "Bispo Universal" da Igreja, ou seja, uma espécie de papa civil e
pagão! Ademais, as igrejas cristãs Greco-Russa e Armênia, que mais tarde
deram origem à Igreja Oriental Ortodoxa, até o canonizaram santo! E pergunto
a você, leitor, se não fosse a influência de Constantino sobre os bispos, o
qual convocou e presidiu esse concílio, a Teologia Ariana seria derrotada?

         E sobre o casamento de Jesus com Maria Madalena no Evangelho
Apócrifo do apóstolo Felipe, os Evangelhos da Bíblia (formada por são
Jerônimo) não o afirmam, é verdade, mas também não o negam!

        O "O Código Da Vinci" traz à baila essas questões teológicas não
resolvidas ou mal resolvidas do antigo cristianismo. E a discussão disso,
hoje, é preocupante para os teólogos ortodoxos, pois os cristãos não são
mais obrigados a acatarem pela força o que eles determinam. E é isso que
está por trás do grito desesperado desses teólogos contra o "O Código Da
Vinci", em que a ficção se torna também um realismo!