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Alteridade

Saara Nousiainen

 

logos@bemviver.org

Uma palavra que vem ganhando uso nos meios espíritas, é alteridade.

Esse é um termo relativamente novo, tanto que nem o dicionário Aurélio o registra, mas seu significado reflete uma nova mentalidade, aquela que deverá vigorar na civilização que, certamente, irá transformar a Terra num mundo de regeneração porque se refere à aceitação das diferenças; também significa a não-indiferença, o aprender com os diferentes, o amar ou ser responsável pelo outro, aceitando e respeitando as suas diferenças.

Alteridade... palavra que representa, em sua profundidade, as leis cósmicas de convívio entre os seres.

A pessoa que a vivencia passa a ser mais fraterna em todos os sentidos, deixando de criticar, julgar, agredir...

A não-crítica, a não-agressão, o não-julgamento deixam o ser em paz consigo mesmo, com a humanidade, com a vida.

Aí você poderá contestar dizendo que atitudes assim tornam a criatura alienada. Mas há uma grande diferença entre analisar, estando consciente dos erros e desacertos, e julgar, criticar, enviar uma vibração negativa para o errado, seja ele uma pessoa, uma instituição ou uma nação, já que as instituições e as nações são formadas por pessoas.

Exemplo: você vê uma pessoa caminhando sobre a grama de um parque para encurtar caminho, e pensa: que sujeito mais sem educação!

Nesse ato de criticar intimamente a atitude daquela pessoa você está gerando uma vibração negativa. Parte dessa vibração, desse magnetismo ou energia pesada fica em você, seu gerador, e outra parte alcança a pessoa que pisou a grama para cortar caminho. Por outro lado, se você apenas registrar o ato errado mas, respeitando a diferença do outro, não  criticá-lo, estará fazendo um bem a si mesmo e deixando de fazer mal ao outro. Mas digamos que, agindo com alteridade, você entende que deve falar com aquela pessoa alertado-a para o erro que está cometendo, fá-lo-á afetuosamente, de forma a não humilhá-la, encontrando a melhor maneira de ser, junto a ela, uma presença benéfica.

Quando nos habituamos a tudo criticar, nosso foco de vida fica dirigido aos outros, na forma como eles se conduzem nos menores detalhes e, é claro, colocamos a nós mesmos como parâmetro nessa medição de erros, nesse julgamento contínuo que exercemos com relação a tudo e a todos. Esse fato nos leva a desenvolver de forma contínua uma vibração pesada e antagônica em relação aos outros porque sempre iremos encontrar neles o que qualificamos como errado. Além disso estaremos também desenvolvendo nossa vaidade, ao compararmos os que consideramos errados, conosco.

Mas, se desenvolvemos a alteridade, respeitando completamente a maneira de ser dos outros, os seus erros e equívocos, até mesmo suas maldades, lembrando que todos somos seres em diferentes faixas evolutivas, tornamo-nos mais leves, mais de bem com a vida, mais alegres e, é claro, mais saudáveis.